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Reféns do Smartphone? Os Impactos da Nomofobia na Educação

Reféns do Smartphone? Os Impactos da Nomofobia na Educação



Introdução

Nos últimos anos, a sala de aula tem sido marcada por uma nova realidade: a presença constante do smartphone. O celular, que poderia ser um aliado no ensino, muitas vezes se transforma em um obstáculo. Surge então a nomofobia, termo usado para descrever o medo ou a ansiedade de ficar sem o celular ou sem acesso a ele.

Esse fenômeno, aparentemente inofensivo, está longe de ser apenas uma mania passageira. Pesquisas recentes revelam que a nomofobia está diretamente relacionada a dificuldades de atenção, queda no desempenho escolar, maior ansiedade entre estudantes e até desgaste emocional para os professores. Em outras palavras, é um desafio silencioso que já afeta a qualidade da educação.


O que é nomofobia?

O termo vem do inglês no mobile phone phobia (fobia de ficar sem celular). Trata-se de um estado de desconforto ou angústia quando o aparelho está fora de alcance, sem bateria, sem internet ou simplesmente desligado. Embora seja um problema relativamente novo, a nomofobia já é considerada por muitos pesquisadores como uma forma de dependência comportamental.

Um estudo publicado em 2022 na revista Cyberpsychology mostrou que a simples presença do celular sobre a mesa já é suficiente para reduzir a atenção e a capacidade de resolver problemas complexos. Ou seja, mesmo que o estudante não esteja usando o aparelho, sua mente está parcialmente “presa” à possibilidade de recebê-lo. Isso explica por que tantos alunos têm dificuldade em se concentrar plenamente em aulas mais longas ou exigentes.


Como a nomofobia afeta os estudantes

As consequências para os estudantes são diversas:

  1. Dificuldade de concentração – A ansiedade por estar desconectado consome energia mental, diminuindo a capacidade de foco.

  2. Queda no desempenho acadêmico – Estudos de 2024 publicados na Frontiers in Education apontam que a relação entre nomofobia e notas baixas é mediada pela ansiedade. Em outras palavras, o excesso de preocupação com o celular aumenta a ansiedade, e a ansiedade reduz o aprendizado.

  3. Problemas de sono e saúde mental – O uso exagerado do celular, especialmente à noite, piora a qualidade do sono, o que impacta diretamente memória, atenção e motivação.

  4. Dependência emocional – Muitos jovens sentem que o celular é uma extensão de si mesmos, e isso cria um círculo vicioso de checagens constantes, medo de perder mensagens ou notificações (o famoso FOMO — fear of missing out).


E os professores, como ficam?

Pode parecer que apenas os alunos sofrem com a nomofobia, mas os professores também não escapam desse desafio. Um estudo de 2022 com professores em formação apontou que muitos também apresentam sintomas de dependência do celular.

Além disso, a prática docente sofre diretamente:


Consequências para a qualidade da educação

Somando os efeitos sobre estudantes e professores, o resultado é claro: a nomofobia compromete a qualidade da educação. Isso se manifesta em:

Não se trata apenas de um “mau hábito”, mas de um problema sistêmico que precisa ser enfrentado com políticas escolares, formação docente e apoio à saúde mental dos alunos.


Caminhos possíveis

Se por um lado os smartphones podem atrapalhar, por outro eles também podem ser integrados de forma positiva ao processo de ensino. O segredo está no equilíbrio. Eis algumas propostas baseadas em pesquisas recentes:

  1. Políticas claras de uso – Escolas que estabelecem momentos específicos para uso pedagógico do celular e períodos de foco sem ele conseguem reduzir distrações.

  2. Educação digital e socioemocional – Ensinar os alunos a regular o próprio uso da tecnologia é tão importante quanto ensinar matemática ou português.

  3. Formação de professores – Capacitar o corpo docente para lidar com a presença inevitável do celular em sala e transformar esse recurso em aliado.

  4. Aulas mais dinâmicas – Quanto mais ativa for a metodologia (debates, projetos, gamificação), menor será a tentação de escapar para as redes sociais.


Conclusão

A nomofobia é um fenômeno recente, mas já deixa marcas profundas no cotidiano escolar. Afeta alunos, professores e, por consequência, a qualidade da educação. Se não for enfrentada, pode ampliar ainda mais os desafios da aprendizagem em um mundo cada vez mais conectado.

Ao mesmo tempo, esse problema pode ser visto como uma oportunidade: a de repensar o papel da tecnologia na sala de aula. Integrada de forma equilibrada, ela pode enriquecer o ensino; usada de forma compulsiva, pode esvaziá-lo. A decisão sobre qual caminho seguir está, em grande parte, nas mãos de educadores, gestores escolares e famílias.


Referências



Cansado de ver as telas dominarem a vida de quem você ama?

Seja você paieducador ou jovem, a nomofobia – o medo de ficar sem o celular – é uma realidade que afeta cada vez mais pessoas. A linha entre o conectado e o viciado está cada vez mais tênue, e os impactos na saúde mental, nos relacionamentos e no desempenho diário são alarmantes.

Mas a boa notícia é que existe um caminho para o equilíbrio!

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Brasil Registra 42 Ataques a Escolas Desde 2001 - Casos Disparam a Partir de Março de 2022


'Escola não é impermeável ao que acontece fora dela', diz especialista sobre escalada de violência; veja análise

O estudo ainda mostrou que mais de 64% desses ataques ocorreram após março de 2022. São Paulo lidera o número de ocorrências, na sequência vem o Rio de Janeiro e depois Bahia.

   

O Brasil registrou 42 ataques a escolas desde 2001, segundo o mapeamento Ataques de Violência Extrema em Escolas do Brasil, feito por grupos de pesquisas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O estudo ainda mostrou que mais de 64% desses ataques ocorreram após março de 2022. São Paulo lidera o número de ocorrências, na sequência vem o Rio de Janeiro e depois Bahia. 


Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (30), Claudia Costin, especialista em educação e presidente do Instituto Salto, reforça que, apesar de uma crescente nos números, o problema não é recente e merece um olhar mais apurado para o que ocorre fora das instituições de ensino também. “A escola não é impermeável ao que acontece fora dela. Muito ódio e muita rede social, alimentando e estimulando os jovens e ex-alunos que façam ataques”, pontua.

Claudia também alerta para a utilização de celulares e redes sociais pelos jovens, que potencializam o bullying. A especialista recomenda que não se autorize redes sociais antes dos 16 anos e que os pais fiquem mais atentos aos comportamentos dos filhos. Um dos pontos positivos, segundo ela, foi a retirada dos celulares na sala de aula. 

Na tentativa de tentar resolver esse problema que vem escalonando, Claudia afirma que a escola não está preparada e não pode fazer tudo sozinha, necessitando da ajuda de outros atores, como o engajamento da família. No que compete ao papel das instituições de ensino, a especialista cita o ensino da educação midiática, como a navegação com segurança na internet, educação para paz, além do apoio da segurança pública, porteiros, câmeras de segurança e ronda escolar. “Porque um ex-aluno entrar armado em uma escola, tem algo errado acontecendo”, ressalta. 

Já do lado dos pais, um caminho proposto pela educadora é que os responsáveis informem à direção escolar quando houver algo estranho, que a criança está sofrendo bullying ou tomando atitudes agressivas. Atrelado a isso, uma equipe multidimensional, que possa ser rapidamente mobilizada para agir em situações-limite, deve estar presente nos colégios.

FONTE: ➡️ https://x.gd/7FYNC

8 Trabalhos do Futuro Que Você Não Pode Aprender na Escola

O mercado evolui mais rápido do que as teorias acadêmicas ou mentalidade individual. As novas gerações não reconhecem hierarquias verticais e figuras de autoridade. Todos são iguais na internet, e sem capacidade de comunicação você não será capaz de conseguir uma promoção ou poderá sofrer com a falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Este mesmo mercado, que há 20 anos exigia apenas títulos acadêmicos, hoje requer habilidades extras – habilidades de comunicação, inteligência emocional e social. Enquanto que no passado habilidades como gestão emocional, empatia, habilidades interpessoais, vendas, resolução de conflitos, liderança ou motivação eram considerados ativos adicionais, hoje eles se tornaram obrigatórios.

Uma pesquisa realizada pela Career Builder, nos EUA, mostra que 71% dos empregadores consideram a inteligência emocional (EQ) ser mais importante do que inteligência racional (IQ).

A saturação de graduados no mercado reduz permanentemente o valor dos títulos acadêmicos e leva a um aumento do desemprego entre os licenciados. Essas mudanças criaram uma abundância de profissões “soft-skill”, que não podem ser aprendidas nas escolas, que não são reguladas por universidades e que uma pessoa mediana não entende e, muitas vezes, rejeita. Apesar disso, essas posições são excepcionalmente lucrativas porque cada uma delas oferece um potencial de ganhos ilimitados e a liberdade de escolher o seu próprio horário de trabalho.

Veja abaixo a lista das profissões mais populares do campo chamado “soft-skill” que, apesar da falta de regulamentação oficial, já se tornaram mais independentes:

1. Líder

Com o desaparecimento de ambos, gerenciamento hierárquico e o molde de um trabalhador normal, o conceito de “membro da equipe” está se tornando mais e mais popular. Em tal estrutura, todo mundo é igual, o ambiente é plenamente democrático, todos têm o direito à sua própria opinião, e as regras são criadas internamente em vez de serem impostas por uma saliência externa. Essas equipes precisam de líderes, pessoas que tanto podem gerenciar processos como inspirar com carisma os outros a ação. O líder é consciente e habilidoso na motivação, empatia e networking.

Um estudo de 25 anos sobre liderança, realizado pela AchieveGlobal, mostra de forma inequívoca que as pessoas julgam os líderes através da lente de certas qualidades e comportamentos que eles tipicamente demonstram em uma base diária e que os dois desafios mais importantes enfrentados pelos gerentes estão na obtenção de resultados e motivar os membros da equipe.

Graças a essas qualidades, um líder aumenta a eficácia das pessoas ao seu redor e ajuda-os a alcançar resultados extraordinários, independentemente da sua posição. Tal líder deve dar prioridade à cooperação, ser criativo, ser habilidoso na área, ter uma visão, e ser guiado por fundamentos. E, considerando o fato de que 65% dos brasileiros com idade abaixo de 35 anos desejam empreender seu próprio negócio, habilidades de liderança são fundamentais para o empreendedorismo. Nas palavras de Seth Godin: Você lidera ou você será liderado.

2. Representante de Vendas

Segundo pesquisas, habilidade de vender é a quinta habilidade mais importante no mundo. No Brasil, assim como em meu país Polônia, esta ocupação tem uma má reputação, pois alguns profissionais são vistos como enganadores (vendedores forçando pessoas a comprarem coisas que geralmente elas não precisam) ou ela é considerada uma ocupação de indecisos que não conseguiram definir uma carreira – “Eu não sei o que fazer com a minha vida (ou: Eu fracassei em algo mais), então irei entrar em vendas. ”

Em países árabes ou na cultura americana, a ocupação de vendas é frequentemente associada com vergonha ou algo de qualidade passiva – o representante de vendas espera pelo cliente e não se envolve ativamente em quaisquer atividades de vendas porque ele ou ela tem medo de rejeição.

Entretanto, habilidade de vendas pode fornecer ganho potencial praticamente ilimitado, ensina responsabilidade, constrói relacionamentos e desenvolve ambição – itens que são úteis em muitos contextos, como por exemplo, demonstrar conhecimento ou atrair um parceiro romântico. Aqueles que não sabem como vender-se perderão a corrida contra as pessoas que são menos competentes, mas são mais habilidosas em se promover (vender-se) no mercado.

3. Networker

As pessoas que são especialistas na construção de relações interpessoais. Elas não têm medo de abordar estranhos, elas sabem como causar uma boa primeira impressão e entregam seu cartão de visita de tal maneira que a outra pessoa vai querer pegar o telefone depois e contatá-la. Elas conectam pessoas.

Construir uma rede de contatos valiosos é um dos métodos mais úteis para encontrar um emprego. Esta é a conclusão da pesquisa feita em 2014 por consultores da Green Line. Networking simplifica o processo de recrutamento, reduz seu custo e traz empregados valiosos eficazmente.

Infelizmente, na Polônia (ainda não sei como isso é percebido no Brasil), este é um conceito totalmente estrangeiro (46% dos entrevistados não sabia o significado da palavra) ou algo pejorativo, associado com o nepotismo. Relacionamento é a moeda das pessoas ricas, e um Networker com uma carteira rica pode trabalhar em praticamente qualquer programa de parceria.

4. Vlogger

Durante o recente Orange Video Festival, entre os milhares de fãs de YouTubers nativos, havia representantes de meios de comunicação tradicionais e muitas instituições sérias de atendimento. Identificando uma tendência emergente que torna possível a todos alcançar o sucesso, oferecendo possibilidades ilimitadas, as empresas estão investindo mais de seus recursos para construir relacionamentos com vloggers. Se uma pessoa sabe como fazer uma apresentação em uma forma atraente, então ele ou ela pode gravar um vídeo em casa e se conectar com um grupo já existente de telespectadores.

Isso é o que o brincalhão polonês, Sylwester Wardęga, fez. Seu filme, caracterizando um cão-aranha, tem mais de 100 milhões de visualizações e rendeu a ele várias centenas de milhares zloty polonês (mais de US$ 100.000) de renda. O YouTube é a televisão do futuro e é apenas uma questão de tempo até que cada grande marca vai usá-lo para se promover no mercado. Os jovens de hoje têm padrões diferentes do que seus pais trabalhadores que trabalhavam por um salário.

5. Coach

Segundo pesquisa feita pela revista Forbes, o retorno do investimento (ROI) em coaching é seis vezes (de acordo com a PricewaterhouseCoopers – 7 vezes), e mais de 70% dos gerentes americanos de nível médio (entre a administração executiva superior é quase todo mundo) sempre usam os serviços de um coach. Na Inglaterra, 80% das empresas investem em coaching. Na Polônia, apenas cerca de 15% o fazem, mas este número está crescendo continuamente e é tendência em países emergentes.

Coaching oferece a possibilidade de melhorar nossos esforços e acelerar o cumprimento de metas; algo que cada indivíduo consciente está interessado. Na Polônia e no Brasil, é uma profissão que é muitas vezes confundida com treinadores (que ensinam habilidades), consultores (que aconselham indústrias específicas), mentores (eles são experientes, especialistas muitas vezes mais velhos), ou terapeutas (que diagnosticam as causas dos problemas e trabalham para eliminá-los).

O crescente interesse em coaching está ligado tanto com a sua eficácia e sua resposta às necessidades do mercado. Coaching de vida ajuda a resolver os problemas da vida, Coaching de negócios melhora os negócios, Coaching de carreira ajuda você a escolher a carreira correta, Coaching de saúde e bem-estar ensina vitalidade, Coaching financeiro traz ganhos mensuráveis para a sua carteira, e Coaching esportivo desenvolve a mentalidade de um vencedor no campo, na quadra ou na sala de musculação.

6. Personal Brander

Do ponto de vista de mercado, cada pessoa é um produto. Esse produto pode ser aceito ou não, demandado ou indesejado, luxuoso ou ordinário. Ele tem seus fãs e resolve problemas específicos. Do ponto de vista da mente, uma marca coloca o indivíduo em uma determinada categoria, talvez a mãe amorosa, o pai rigoroso, o velho bondoso, ou o empresário inescrupuloso.

A maioria das pessoas nunca entrará em contato com quaisquer indivíduos se eles inconscientemente colocam essas pessoas em categorias sociais distintas. Um indivíduo que não gerencia estas categorias e que não usa conscientemente a marca pessoal, será condenado a julgamentos aleatórios, e muitas vezes injustos, referentes à categoria para a qual ele ou ela pertence.

Por exemplo, se alguém está indo para a política, então ele ou ela será sempre visto como alguém não confiável, independentemente do seu nível de integridade e honestidade. Nestes dias, é cada vez mais comum que o primeiro contato com uma pessoa ou empresa venha através da internet. Este é um domínio governado por primeiras impressões e reputação. Uma marca com uma imagem contraditória perde o seu público alvo. Mesmo um número elevado e bem posicionado de revisões positivas não vai dar-lhe a prova social suficiente para se recuperar. Sem um bom marketing, até mesmo o melhor produto não vai vender no mercado.

7. Start-upper

A revista Forbes concluiu que mais de dois terços do povo polonês tem uma visão positiva para o empreendedorismo (o Brasil tem a mesma tendência), e entre os jovens, este número cruza a marca de 80%. E mesmo que o Brasil não seja como a Califórnia, e que apenas metade das empresas sobrevivam no mercado após 4 anos, 44% dos brasileiros (59% com menos de trinta anos) podem imaginar começar sua própria empresa. Rafal Brzoska, o fundador da Inpost e um dos mais ricos poloneses, destaca em uma de suas entrevistas que os poloneses iniciam seus próprios negócios 8 vezes mais frequentemente do que os alemães (não tenho os números desta relação do Brasil com outro país). E mesmo que o ambiente é muitas vezes hostil, as pessoas que se envolvem em empreendedorismo são tenazes quando se trata de negócios.

Empreendedorismo é incentivado por tendências globais, por um potencial ilimitado para o desenvolvimento, pela perspectiva positiva das pessoas da geração Y (pessoas nos seus vinte e poucos anos e mais jovem) no sentido de gerir o seu próprio negócio, e as perspectivas negativas da chamada corrida de ratos de um trabalho regular.

O leque de possibilidades financeiras nunca foi tão favorável como é hoje. Os empresários podem contar com subsídios de incubadoras ou algum financiamento público, ou em outras palavras, obter financiamento de grupos interessados em determinado projeto. A mídia social gera um ambiente favorável enquanto aceleradores e incubadoras, tais como Business Link ajudam no início.

8. Consultor

Quando um atleta não pode continuar a sua carreira profissional devido ao avanço da idade, mas continua apaixonado pelo esporte, o caminho natural de desenvolvimento está em se tornar um treinador. Algo semelhante acontece em outras indústrias. Junto com a crescente popularidade da psicologia do sucesso e habilidades sociais, há também um aumento da consciência, tornando possível para qualquer especialista em um determinado campo se tornar um consultor.

O uso dos serviços de mentores está se tornando um padrão no Oeste. Eles, como profissionais mais velhos e mais experientes, aconselham os novatos em seus negócios. Educação não está reservada apenas para professores ou treinadores. Mentoring ou consultoria se tornou uma forma concreta de transmissão de conhecimentos que todos podem aproveitar. Depois de ganhar anos de experiência, todo mundo pode se tornar um consultor e ter uma profissão independente, sem limite superior para os seus honorários.

Praticamente qualquer um pode ser contratado para supervisionar mudanças específicas ou resolver um determinado problema, mas consultores profissionais são mais atraentes devido ao fato de que eles não têm de ser contratados em contrato de trabalho permanente.

FONTE: FORBES

Subsídios Pedagógicos


Cadernos Pedagógicos



Produzidos pela Secretaria de Estado da Educação de SC:
  1. Ensino Médio Integrado à Educação Profissional
  2. Geografia
  3. Sociologia
  4. História
  5. Filosofia
  6. Biologia
  7. Matemática
  8. Interdisciplinaridade
  9. Química
  10. Física

UMA PROPOSTA PÓS-CRÍTICA




UMA PROPOSTA PARA A PROPOSTA CURRICULAR DE SANTA CATARINA

Por: Jorge Schemes*


Está na hora da Rede Pública Estadual de Educação rever a sua fundamentação teórica e pedagógica descrita na Proposta Curricular de Santa Catarina, pelo menos no que diz respeito a sua concepção de homem, de sociedade e de educação. Faço referência ao seu modelo de currículo, o qual tem como base filosófica o Marxismo com seu materialismo histórico e filosófico. Sem dúvida a análise crítica social a partir de referenciais marxistas representou, para as teorias educacionais do século XX, uma superação do modelo curricular tradicional.

A teoria tradicional é marcada por uma teoria metafísica de ser humano, ou seja, a busca da unidade na diversidade. Essa pedagogia de abordagem tradicional foi construída durante séculos, e ainda pesa sobre a educação hoje. Na teoria tradicional, marcada por uma metodologia centrada no professor, com forte ênfase conteudista e caracterizada pelo fracasso escolar, a realidade é excludente. No modelo tradicional, as palavras e expressões que mais se destacam são: ensino centrado no professor, aprendizagem por meio da memorização, avaliação por meio de testes e provas, didática rígida, organização e disciplina, planejamento e conteúdo programático, eficiência e objetivos.

Dentro desse contexto, a Proposta Curricular de Santa Catarina representou um marco na tentativa de superação do modelo tradicional. Fundamentalmente porque apresenta uma teoria crítica em contraposição à teoria tradicional. A obra de Karl Marx (1818-1883) influenciou drasticamente a visão sobre a sociedade humana, e causou grande impacto no pensamento social e político. O marxismo, desenvolveu-se a partir de uma crítica à tradição filosófica racionalista, levando o conceito de dialética do plano da consciência humana para a base material da sociedade, com sua estrutura econômica e as relações de produção. O impacto sobre a educação se faz sentir ainda hoje com a obra de Lev S. Vygotsky e Alexei N. Leontiev. 

A teoria crítica buscou resgatar a concepção materialista da história, ou seja, transformar a realidade e as mentalidades utilizando, para tanto, a dimensão cultural. Contudo, as teorizações marxistas (teorias críticas) viam as pessoas apenas como sujeitos de classe social. Para Marx, essa concepção era o grande regulador da condição humana que definia as experiências dos sujeitos, suas condições de desigualdade, opressão e hierarquia social. Desta forma, o currículo crítico é marcado por palavras e expressões como: ideologia, reprodução cultural e social, poder, dialética, luta de classes e classe social (apenas duas: burguesia e proletariado), capitalismo, relações sociais de produção, conscientização, emancipação e liberdade do sujeito, currículo oculto e resistência. Assim sendo, para Marx e consequentemente para as teorias críticas que surgiram, a diversidade e as diferenças, bem como outras dimensões humanas que também pudessem ser importantes para as pessoas, além da classe social, não foram contempladas. Marx não considerou que as pessoas também pudessem ser marcadas socialmente por causa de seu sexo, seu gênero, sua raça, sua etnia, seu estado físico, sua sexualidade e sua religião ou crença.

Diante do exposto, outra abordagem possível para o currículo escolar está fundamentada em teorizações pós-críticas, tanto do sujeito quanto do poder. Na agenda da escola do século XXI encontramos preocupações sobre o respeito ao diferente, a diversidade, a inclusão escolar e a diminuição das desigualdades sociais. Assim sendo, as principais características de um currículo pós-crítico são palavras e expressões como: identidade e alteridade (destacando aqui a filosofia da libertação de Enrique Dussel e a ética da alteridade de Emmanuel Lévinas), diferenças e subjetividades, significação e discurso (lembrando aqui Michael Foucault e Jaques Derrida), saber e poder, representação, cultura e multiculturalismo, gênero, sexualidade, raça, etnia e desconstrução.

O contexto sociocultural e econômico do século XXI exige uma nova formatação curricular que dê conta das relações sociais na sua multiplicidade. As teorias pós-críticas sob a influência do pós-estruturalismo (perspectiva teórica que se comporta como categoria descritiva de análise), devem fazer uma análise do caráter do currículo baseada nos estudos culturais. Contudo, assumir uma perspectiva pós-crítica implica em atitudes fundamentais, tais como: crítica aos sistemas explicativos globais da sociedade, crítica as explicações universais e essencialistas acerca das identidades, dos gêneros e das sexualidades, problematização dos modos de produção e divulgação da ciência, questionamento da aceitação de um poder central e unificado que rege o todo social, desconstrução do caráter permanente das oposições binárias da cultural ocidental (etnocêntrica e hierárquica).

Ao compararmos, de forma sintética, a teoria tradicional, a teoria crítica e a teoria pós-crítica, as questões que se impõem para a educação no contexto histórico atual são: que escola queremos? Para qual sociedade? Como o currículo escolar de hoje supre as características sociais de um mundo pluralista e multicultural? Como a Proposta Curricular de Santa Catarina lida com as diferenças e com a questão de identidades subordinadas? Como as características de um currículo pós-crítico podem suprir as lacunas deixadas pelo modelo tradicional e crítico?

* JORGE SCHEMES
Formação: Bacharel em Teologia com ênfase em Grego e Hebraico. Licenciado em Pedagogia com Habilitação em Séries Iniciais e Administração Escolar. Licenciado em Ciências da Religião com Habilitação em Ensino Religioso. Pós-Graduado em Interdisciplinaridade e Metodologia do Ensino Superior. Pós-Graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Atuação Profissional: Técnico Pedagógico na Gerência de Educação de Joinville - GERED - Responsável pelo NEPRE, APOMT e APÓIA. Professor de Filosofia da Educação, História da Educação, Antropologia Cultural, Empreendedorismo, Educação e Conjuntura Política e Projetos Educacionais e Corporativos na FGG (Faculdade Guilherme Guimbala - ACE). Professor de Religião no Instituto de Parapsicologia de Joinville. Professor de Ensino Religioso nas Escolas Públicas Municipais Saul Sant'Ana de Oliveira Dias, Luiz Gomes, Pauline Parucker e João Bernardino. Membro Conselheiro do COMEN e da CMAIDS (Conselho Municipal de Entorpecentes e Comissão Municipal de Prevenção e Controle de DST/AIDS). Membro da aliança:"Por Um Mundo Sem Tabaco", do INCA (Instituto Nacional do Câncer). Escritor e Palestrante. Contato Direto: (47) 8829-4706

MEDIADOR MIDIÁTICO




O PROFESSOR COMO MEDIADOR MIDIÁTICO

Por: Jorge Schemes

Século XXI, século da comunicação, século da informação, da era digital e dos espaços virtuais. É dentro deste contexto que a escola pós-moderna está inserida como uma verdadeira "ilha de resistência" ao novo, ao diferente, às mudanças instantâneas da era da informática e da robótica. Digo "ilha de resistência" porque a escola, na grande maioria dos casos, ainda é um espaço de disritimia entre o que ocorre no mundo regido pelo mercado financeiro e o que ocorre no universo da práxis pedagógica. Não receio em afirmar que a escola, formatada do jeito que está, e estruturada como um espaço de reprodução e cópia cognitiva, é, de fato, uma continuação de um projeto medieval de subordinação do pensamento próprio, da identidade própria e das diferenças. Aliás, o objetivo deste projeto milenar é buscar a unidade (uniformidade) na diversidade, pois é regido por uma concepção ultrapassada de ser humano, a concepção metafísica. Sendo assim, a escola não pode cumprir plenamente com o seu papel social, cultural e educativo, pois suas açõs e operações não visam os sujeitos deste tempo histórico e social. 

A sala de aula, com sua estrutura física obsoleta, nos remete a posturas atitudinais de fragmentação do conhecimento e pseudas práticas de ensino, nas quais, os sujeitos não conseguem estabelecer uma conexão lógica e uma coerência entre o conteúdo informado e transmitido com as suas realidades. Diante da reflexão sugerida, qual a exigência do contexto histórico, social e econômico para a formação docente? Qual o papel do professor no contexto da era da informação? Certamente que não pode e não deve ser o mesmo de 30, 20, 10, 5 ou um ano atrás. Cada vez mais, o mercado financeiro como um organismo vivo, e não propriamente as políticas públicas voltadas para a educação, é que está ditando as regras e a necessidade de inovação. 

A escola ainda é um organismo morto dentro de um organismo vivo, dinâmico e repleto de transformações e mudanças. Neste sentido a escola ainda é uma ilha de resitência, mas não por muito tempo. A inovação na estrutura da escola será inevitável diante dos avanços das tecnologias. O contexto emergente sugere a necessidade de inovar métodos, práticas, didáticas, currículos, formação docente e infra-estrutura. O professor inteligente saberá por meio da intuição e de uma atitude pró-ativa o caminho que deverá seguir daqui pra frente. Este caminho é primeiramente um caminho de descontrução e reconstrução permanente no aspecto cognitivo. Mas também é uma caminho de busca e de esforço intelectivo. Pois diante das novas tecnologias e da avalanche de informações dispostas e disponíveis nos substratos digitalizados, o professor atuará mais como uma mediador midiático do que como interlocutor. 

O mediador midiático será capaz de "ler" e "interpretar" as diferentres fontes de informações, bem como de promover os parâmetros necessários para filtrar os conteúdos entre aquilo que é relevante e aquilo que é banal. O professor midiático deverá ter sólida fundamentação ética e moral, de tal maneira que contemple com a sua postura e com suas atitudes a diversidade presente no ambiente de ensino e aprendizagem, seja ele virtual ou físico. São os valores presentes na prática docente que farão a diferença na apreensão do conhecimento, que cada vez mais desenha-se como sendo autobiográfico. O professor midiático deverá ter o domínio técnico dos novos suportes da informação, esse é o requisito básico para trabalhar com a informação, a qual já possuí um mundo próprio e viaja na velocidade da luz. O desafio maior para o professor midiático será estimular a transformação de informações relevantes em conhecimento cientificamente válido e eticamente aceitável.