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terça-feira, 12 de março de 2013

Reflexões Sobre a Formação Docente

Pensar a prática docente e pedagógica do professor sem pensar em como se deu sua formação inicial e como se dá a sua formação continuada não faz sentido. Pretendo elencar algumas ideias que me chamaam atenção, interagindo com as mesmas dentro de uma perspectiva curricular pós-crítica, ou seja:
- A formação inicial aligeirada dos docentes centrada na prática imediata e nas necessidades do cotidiano tem um caráter pragmático e carecem de uma fundamentação teórica que possibilite uma mentalidade crítica e reflexiva como propõe o artigo.
- As proposições professor reflexivo, prático-reflexivo e professor pesquisador nos remetem a uma fundamentação teórica histórico-social, e para tanto, penso, ser necessário muita leitura e dedicação intelectiva para a formulação de ideias, conceitos e a transformação da informação em conhecimento e sabedoria. Pensei também ao ler essas ideias que se faz necessário nesse tempo digitalizado que haja o professor mediador-midiático embasado em princípios éticos consistentes.
- O ensinar, o transmitir e o aprender na educação infantil - O artigo traz uma reflexão bem significativa nessa questão, revelando a necessidade do resgatar o aprender da criança. O que pude perceber é que o aprender da criança depende em grande parte de uma formação inicial dos docentes que traga em seu currículo uma proposta teórica que possibilite a construção de um pensamento crítico e reflexivo, para que os alunos também o apreendam. 
- Outro aspecto que me chamou a atenção no artigo diz respeito a formação humanística do professor, sua sensibilidade para captar a natureza humana dos seus alunos dentro de um contexto histórico-social e de múltiplas inteligências, lembrando Vygotsky, Leontiev e Howard Gardner.
- A lacuna curricular dos cursos de formação inicial, do curso de pedagogia de maneira específica, também me chamou atenção. Ao ler sobre isso, me pareceu que a lógica neoliberal e a ética capitalista que é utilitarista (os fins justificam os meios) também tem influenciado o currículo dos cursos de formação docente imprimindo uma pedagogia utilitarista e pouco reflexiva, até porque carece de conteúdo teórico significativo.
- Em relação as políticas públicas para a educação, me chamou a atenção as ideias do texto que nos remetem ao pouco caso dado à cultura de forma ampla, ignorando a diversidade dos sujeitos em seus meios culturais distintos como seres históricos biopsicosociais. Assim, pude refletir e perceber que há um empobrecimento curricular, com forte ênfase nos conteúdos mínimos e pouca ou nenhuma ênfase no multiculturalismo.
- Há um empobrecimento na formação do professor como intelectual da educação, e esse empobrecimento está se refletindo numa prática pedagógica cotidiana distanciada de reflexões críticas, é o fazer por fazer que acaba predominando, percebi isso ao ler as ideias das páginas 8 e 9 sobre a necessidade de uma reflexão teórico-metodológica.
- As ideias do texto sobre a participação ativa da criança no processo de construção do conhecimento me levaram a refletir sobre a teoria da atividade de Leontiev. A atividade é sempre do sujeito como ser ativo do processo de construção de um conhecimento que não esteja alienado ou desvinculado de sua realidade, pois aquilo que não está inserido na realidade da criança e não tem vínculo com sua vida ela não está interessada, e aquilo que não lhe interessa ela não aprende. 
- As ideias de superação da lógica capitalista na formação de professores e no exercício docente também despertaram meu interesse. Tenho lido Levinas e Henrique Dussel, e cada vez mais me convenço de que é necessário superar o conceito cartesiano de ser. A lógica neoliberal está embasada numa pseudo-ética que está subliminarmente sendo incutida pelo capitalismo a qual preconiza no subconsciente o seguinte princípio: ame as coisas e use as pessoas. Transportando essa dieia para a educação, ouso possibilitar um debate sobre essa questão, ou seja: não estariam os professores sendo formatados e domesticados para reproduzir o mesmo princípio no sentido pedagógico? Me refiro ao princípio do ame o que faz, o método, a técnica e ignore a teoria e consequentemente os seus alunos enquanto sujeitos históricos e sociais? Seria essa formação capitalista uma formação para autômatos?
- O aspecto mercadológico da educação elencado no artigo também me fez refletir muito. Nesse contexto capitalista de educação pragmática não seriam os alunos meras mercadorias de consumo? E os professores meros instrumentos técnicos destituídos de pensamento próprio, ou seja. meros refletores do pensamento alheio? Isso é preocupante, pois destitui do professor, como diz o artigo, o caráter intelectual de sua atividade. Lembrei o livro que li de Miguel Arroyo, onde ele faz uma reflexão sobre a imagem e a auto imagem do professor. Que imagem temos construído em nosso ofício? É o nosso ofício um ofício de mestre?
- A ideia de uma educação dualista, de uma educação para a formação de classes como já preconizava Platão, também é uma crítica reflexiva do artigo que gostei. E apenas uma formação docente num contexto histórico-social carrega consigo a função social e a possibilidade de desenvolver no sujeito uma visão crítica diante da complexidade e da pluralidade do contexto histórico, social e epistemológico contemporâneo.
- O contraponto entre a formação estrita (do cotidiano do trabalho escolar) e a formação ampla (do conhecimento acumulado historicamente pela humanidade) foi outro aspecto que destaco do artigo. Refleti em minha própria formação (pedagogia com habilitação em séries iniciais), a qual se norteou pelos princípios capitalistas do pragmatismo pedagógico, tendo uma grande carência de fundamentação teórica numa perspectiva histórico-cultural, o que me fez buscar essa lacuna por meio de contínuas formações continuadas até o momento, assim, posso afirmar que, ainda não sou, estou sendo e me fazendo professor.

Jorge Schemes


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Homenagem aos Professores

PROFESSOR

I
Professor que ensina, que educa, 
que encanta e mesmo assim nunca se cansa.

II
Cada professor tem um jeito de ensinar e aprender,
pode ser do jeito discreto ou brincalhão,
mas o professor é uma mãe, um irmão.

III
Tem professor de vinte anos, de cinquenta, 
mas tem uns até com sessenta.

IV
Tem conselhos dos professores que são valiosos,
Ouvi-lhes bem o que dirão,
para guardar lá dentro do coração.

V
Então professor, só queríamos dizer,
que amamos muito você.

Feliz dia dos professores!

Autora: Miriam Maria Vensso Schemes - 12 anos
Aluna do Colégio Estadual Conselheiro Mafra em Joinville, SC



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fazer pausas durante estudo ajuda na memorização, diz pesquisador



Copiar o conteúdo durante a aula, repetir por horas o mesmo assunto e ter um lugar fixo para estudar parece ser uma receita infalível para qualquer aluno. No entanto, estudos comandados por Robert Bjork, do departamento de Psicologia da University of California, Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, apontam para o lado contrário do que geralmente se pensa sobre o processo de aprendizagem e memorização.
De acordo com as pesquisas, fazer pausas durante as sessões de estudo ajuda na memorização do conteúdo a longo prazo e variar o local de aprendizado aumenta a possibilidade de recuperação de dados importantes. O pesquisador diz ainda que as informações são armazenadas na memória quando relacionadas com o que já sabemos e que recuperar memórias é um instrumento de estudo mais poderoso do que estudar um conteúdo novamente.
Diretor do Laboratório de Aprendizagem e Esquecimento (Learning and Forgetting Lab) da universidade, Bjork é especialista em armazenamento de novas informações e formas de retomá-las em nossa mente. No laboratório, são feitos testes sobre a capacidade de aprender e de memorizar no contexto educacional.
Nos anos 1990, Bjork introduziu os estudos sobre "dificuldades desejáveis" (desirable difficulties), no qual explorou, por meio da mudança nos locais e horários de estudo, a forma como armazenamos e lembramos informações. Seus estudos seguem até hoje e ainda surpreendem. Em entrevista exclusiva ao Terra, Bjork fala mais sobre nossa habilidade de guardar e lembrar memórias e sua relação com o aprendizado.
Terra - Quais são as melhores estratégias para aprender algo? O que os estudos recentes mostram sobre a melhor maneira de memorizar o que aprendemos?
Robert Bjork - É importante entender que não aprendemos somente quando nos expomos à informação que queremos saber. Novas informações são armazenadas em nossa memória quando as relacionamos com o que já sabemos. Isso requer que notemos essas relações e interpretemos ativamente o que tentamos aprender. Igualmente importante é praticar a recuperação da informação que desejamos lembrar. Quando geramos informações a partir de nossas memórias, tornamos a informação recuperada muito mais fácil de ser relembrada no futuro. O ato de recuperar é poderoso no aprendizado - consideravelmente mais poderoso do que estudar as informações novamente. Precisamos ser agentes ativos no processo de aprendizagem, não aparelhos gravadores passivos.
Terra - Como nossa memória trabalha para aprender novos dados?
Bjork - Pela associação desses dados com o que já sabemos. Nossa capacidade de armazenar informações em nossa memória é ilimitada, e aprender novas informações aumenta essa capacidade, em vez de ocupá-la por completo. Quanto mais sabemos sobre algum assunto, mais maneiras surgem de ligar a nova informação ao que já sabemos.
Terra - Como o lugar onde estudamos influencia no processo de aprendizagem? Por que seria melhor variar esse local? 
Bjork - Enquanto nossas memórias são ilimitadas do ponto de vista do armazenamento, somos consideravelmente limitados do ponto de vista da recuperação de dados. Muitas das informações em nossas memórias não podem ser relembradas em circunstâncias normais. O que é possível ou não de ser lembrado em nossa memória depende das marcas do contexto ambiental, interpessoal, emocional ou físico daquele momento.
Então, quando estímulos de algum teste ativam sinais que estavam presentes no tempo do estudo, nossa habilidade de relembrar a informação estudada é aumentada. Mesmo marcas restabelecidas pelo meio - ou seja, se imaginar de volta na situação do aprendizado - pode ajudar a relembrar. Quando algo é estudado duas vezes, parece que a habilidade de relembrá-lo é aumentada se a informação tiver sido estudada em lugares diferentes.
Terra - Por que isso acontece? 
Bjork - O porquê disso não é entendido por completo. Mas variar a localização de um primeiro para um segundo ambiente, provavelmente, faz duas coisas: enriquece a codificação, levando o aluno a codificar a informação de alguma forma diferente durante a segunda sessão de estudo; e enriquece a recuperação, fornecendo dois contextos diferentes que podem ser mentalmente restituídos na hora da prova.
Terra - Normalmente, fazemos uma pausa quando trocamos de assunto durante os estudos. Isso melhora a capacidade de memorização? 
Bjork - O que precisamos evitar é a "prática em massa", que significa estudar a mesma informação repetidamente sem fazer uma pausa entre as sessões de estudo. Dar um tempo entre as sessões de estudo melhora a memorização a longo prazo, às vezes de forma substancial. Quando há múltiplas coisas a serem aprendidas, as horas de estudo dessas coisas devem ser intercaladas, não fechadas em blocos de assuntos.
Terra - Qual a melhor forma de fazer anotações durante as aulas?
Bjork - Notas devem ser feitas somente de forma alternada e em comentários, em vez de maneira literal. A pior coisa que pode ser feita durante os estudos é entrar no modo taquígrafo de tribunal - isto é, tentar copiar tudo da maneira como foi dito. Isso reprime o aprendizado. Um taquígrafo pode gravar tudo que foi dito em um dia ou em um julgamento e depois, no final do dia, não ter nenhuma ideia de sobre o que era o caso.
Terra - É verdade que apagamos de nossa memória coisas que aprendemos há muito tempo?
Bjork - Não é verdade. Informações muito antigas permanecem em nossas memórias, mas se tornam inacessíveis e impossíveis de serem relembradas, a não ser que elas continuem sendo acessadas e usadas.

terça-feira, 13 de março de 2012

Pelo Twitter, educadores se mobilizam a favor do piso salarial


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) se mobilizou e divulgou, em sua página oficial na internet, o chamado "twittaço", uma manifestação através do Twitter pedindo o piso salarial para os profissionais que trabalham na área educacional.
Com a hashtag #Opisoelei, as entidades filiadas à CNTE estão cobrando governadores e prefeitos o cumprimento da Lei n° 11.738/2008, chamada Lei Nacional do Piso do Magistério, que prevê um piso salarial de R$ 1.451,00 para os educadores em 2012.[Fonte: Terra]

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Reflexões sobre a Prova Brasil

O texto do CENPEC sobre a Prova Brasil na Escola revela de maneira suscinta e objetiva os interesses do MEC diante da aplicação deste intrumento de avaliação para medir e também quantificar a qualidade da educação no Brasil. Funciona mais como uma avaliação diagnóstica para detectar os péssimos desempenhos nos índices educacionais, visando a busca da melhoria da qualidade na educação nacional. Como instrumento de avaliação, a Prova Brasil é imprescindível para detectar as deficiencias e promover políticas públicas afirmativas para melhorar os índices. Ao revelar os piores e os melhores rankings entre as escolas, essa revelação reforça a necessidade de mais debate sobre o assunto e gera a reflexão necessária para possíveis mudanças e melhorias. As reações diante dos resultados vão desde reclamações e revoltas, até atitudes de reflexão e a elaboração de estratégias para melhorar a qualidade da educação. Como o próprio texto apresenta:

A análise dos resultados obtidos pela escola, portanto, gera para o conjunto de seus educadores questões fundamentais: o que os alunos aprenderam e o que ainda não foi apropriado? Por que os alunos não aprenderam? Onde está o problema: nos alunos, no professor, na escola, nas metas de aprendizagem da proposta escolar e/ou nas políticas educacionais adotadas? Que novas ações precisam ser empreendidas pela equipe escolar e pelos professores de cada turma? O que está funcionando e deve ser mantido? E assim por diante. (CENPEC, p. 12)

Sendo assim, os resultados obtidos pela Proa Brasil podem servir de subsídios para que a escola se organize pedagogicamente para melhorar o seu processo de ensino e aprendizagem. O debate gerado diante dos indicadores deve levar a escola à criação de um plano de ações que promovam um ensino mais eficaz.

O documento recomenda ainda que a escola se prepare para a Prova Brasil em dois tempos: um tempo antes da aplicação da Prova Brasil e outro tempo após a publicação dos resultados. Antes da prova a escola pode tirar proveito das reuniões pedagógicas e paradas pedagógicas para discutir temas como: relação entre aprendizagem a avaliação, PCNS de Língua Portuguesa e Matemática e assuntos relacionados a própria Prova Brasil. Após a publicação dos resultados a escola pode promover uma análise coletiva dos indicadores para elaboração de um plano de intervenção por meio de ações que reformulem o PPP da instituição. Assim, a Prova Brasil pode promover atitudes de autoavaliação institucional e pedagógica, análise e reflexão, debate, ações afirmativas que promovam a qualidade do ensino, monitoramento contínuo da aprendizagem e interesse pelas dificuldades dos alunos dentro do seu contexto biopsicosocial.

Diante da solicitação da professora Mariana como segue: “Gostaria, por favor, que oferecesse a todos nós professores um INTENSIVO com base em MODELOS de questões da prova Brasil para que pudéssemos melhor preparar nossos alunos e alunas para quando chegar tal avaliação, de forma que com essa ‘preparação’, possamos aumentar os resultados obtidos nessa tal avaliação que o MEC exige que participemos.” Como coordenador pedagógico eu proporia um cronograma de aulas de leitura para toda escola, bem como aulas de reforço de matemática no contraturno. A aplicação de provas modelos ou simuladas também é válida, mas não é questão central, uma vez que o objetivo é melhorar a qualidade de ensino e não meramente melhorar os índices de resultados obtidos por meio da Prova Brasil.

Concordo com a Prova Brasil enquanto intrumento fundamental para gerar o debate, levar a reflexão e ao estabelecimento de um plano de ações de intervenção na escola visando melhorar a qualidade da educação ofertada ali. Contudo, a Prova Brasil não pode ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio de melhorar a educação no Brasil. Outra questão que penso pertinente, diz respeito a visão cartesiana da Prova Brasil, ou seja, considerando que há múltiplas inteligências, e considerando que a Prova Brasil contempla apenas duas das sete inteligências (segundo a teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner), a Prova Brasil é um instrumento limitado para medir a real potencialidade do capital humano da nação. Todavia, trata-se de um instrumento inicial, um começo, que precisa ser melhorado e aperfeiçoado diante dos novos paradigmas da educação do século XXI, dentro da concepção de um currículo pós-crítico.

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